vamos-conversar-sobre-feminismo

Feminismo é uma palavra que gera muita confusão. Não pelas feministas, grupo no qual eu orgulhosamente me incluo, mas pela ignorância que rodeia mentes estreitas que não conseguem buscar compreender o que é feminismo e porque ele é necessário. Neste momento te convido a sentar e ler esta postagem com muita atenção, seja você feminista ou não.

Ondas

Vocês já devem ter ouvido que o feminismo é um movimento em ondas. Até o momento são reconhecidas três, mas alguns especialistas já apontam para um quarta. Mas, afinal, o que são essas ondas? Seriam as feministas surfistas? Não, minhas caras (e caros). Estamos falando de fases do feminismo e cada fase  é marcada por demandas bastante específicas.

Primeira onda

Quando? Final do século XIX e início do XX.

Por quê? Direito ao voto era pelo o que lutavam as feministas da primeira onda. As chamadas sufragistas reivindicavam a equidade de direitos legais (como o voto) e igualdade no casamento e no acesso à educação.

Antecedendo a segunda onda, temos a obra de Simone de Beauvoir, O segundo sexo, traduzida do francês para o inglês (1953). Na obra, a escritora francesa destaca que não existe um destino biológico ou qualidade inerente à mulher ou uma natureza feminina, mas o que existe é uma construção social de mitos de uma sociedade patriarcal  que oprime as mulheres. Como disse minha xará, “Não se nasce mulher, torna-se mulher”

Onde? Principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. 

Segunda onda

Quando? Século XX (entre as décadas de 60 e 80).

Por quê? Tendo como marco teórico Simone de Beauvoir, a segunda onda é uma continuação da primeira. Compreendendo que sexo é biológico,mas gênero é uma criação sociocultural,  agora é necessário assegurar os direitos conquistados anteriormente e garantir que as mulheres tenham seus direitos garantidos. A ativista feminista Carol Hanisch foi responsável pelo slogan da segunda onda: “o pessoal também é público”. Isto é, as estruturas políticas permeiam a vida pessoal das mulheres, refletindo estruturas sexistas. 

Onde? Principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. 

Terceira Onda

Quando? Final do século XX (1990) até hoje (?)

Por quê? Em 1990 com a publicação do livro “Problemas de gênero” da norte-americana Judith Buttler, o conceito de gênero é contestado, por se prender a um binarismo heterossexual: homem-mulher. Essa obra acaba por ser uma das bases teóricas da terceira onda feminista e abre espaço para um debate bem mais abrangente.

A terceira onda feminista não vê as mulheres como um grupo homogêneo, mas trabalha as micro histórias e as micropolíticas, propondo um movimento de um grupo heterogêneo e observando as demandas de grupos de mulheres específicos, deixados à margem pelas outras ondas feministas. Nesse momento falamos de feminismos (no plural mesmo!). A primeira e a segunda ondas feministas tinham o enfoque nas mulheres brancas, de classe média alta e essa é uma das críticas que a terceira onda levanta sobre as duas anteriores. Entram neste cenário o feminismo negro, por exemplo, com demandas específicas de raça, além, claro, de gênero.

Nesta onda também está relacionada a liberdade sexual da mulher, ao uso de contraceptivos e também o direito ao aborto.

Onde? Países em desenvolvimento, países africanos, latino-americanos e Estados Unidos.

Quarta Onda

Quando? Alguns estudiosos acreditam que a quarta onda feminista começou por volta de 2015.

Por quê? Após a primavera feminista, em 2015, um novo cenário se abriu para o movimento feminista. As reivindicações da chamada “quarta” onda ainda são bastante semelhantes as da terceira, porém , o que muda drasticamente o cenário, é o uso do ciberativismo pelas feministas. Nessa onda, a internet é o meio primordial para divulgar, convocar e promover a causa feminista. O uso de hashtags, como por exemplo #meuprimeiroassedio ou #meuamigosecreto, são também uma forma de utilizar as redes sociais em prol do movimento feminista.

Muitos estudiosos não acreditam no levante de uma quarta onda, uma vez que as demandas dessa onda não diferem muito daquela que a antecedeu, sendo a primavera feminista de 2015 e o uso da internet pelas feministas algo ainda pertencente à terceira onda.

Onde? Principalmente no ciberespaço.

 

E o que o feminismo fez por você ?

Já ouvi muita mulher dizer: “Eu não preciso do feminismo!” Ou, pior, achar que o feminismo é o contrário de machismo. É preciso deixar bem claro que o contrário de machismo é femismo e o sinônimo de machismo é burrice. E nem venha me dizer que é humanista, porque é a mesma coisa que colocar um ovo cozido numa salada de frutas, afinal humanismo é o contraponto do teocentrismo, que deixa de colocar Deus no centro para colocar o ser humano. Nada a ver com a discussão sobre o feminismo, não é?

Mas para você que diz que não precisa do feminismo ou que é humanista, eu digo que toda mulher precisa do feminismo e todo homem pode lutar pelo feminismo também. Para comprovar isso, listo que, por causa do feminismo, hoje você, mulher, pode:

  1. Votar;
  2. Ser votada;
  3. Escolher com quem quer casar;
  4. Frequentar a universidade;
  5. Usar métodos contraceptivos;
  6. Usar calça, minissaia, biquíni, enfim, o que quiser;
  7. Jogar futebol  (e por que não?);
  8. Se divorciar;
  9. Ficar com a guarda dos filhos em caso de separação;
  10. Trabalhar fora;
  11. Ter leis que te protejam (como a Lei 11.340/2016 – Lei Maria da Penha).

E essas são só algumas coisas que você pode dizer muito obrigadx ao feminismo.

E ainda falta conquistar mais alguma coisa?

Claro que sim! O feminismo já conquistou muito, mas ainda há um mundo de coisas para conquistar. Não estamos falando de uma ditadura “feminazi” (esse termo, alias, me causa arrepios. Não só pelo erro histórico que comete, mas por ver um movimento de liberdade como algo completamente oposto). O principal no movimento feminista é igualdade e é essa a busca que ainda não foi conquista.  (1) Mulheres não recebem igual aos homens para desempenhar a mesma função. (2) Elas, em geral, tem uma tripla jornada de trabalho e as especificidades de uma mãe trabalhadora raramente são respeitadas no trabalho ou em casa. (3) Além disso, os filhos e a casa ainda são vistos como única e exclusiva responsabilidade da mulher. (4) Em um estupro a vítima, muitas vezes, é vista como culpada. (5) O direito das mulheres trans ainda não tem o debate e enfoque necessários. (6) E, acima de tudo, o pior: o machismo, que existe e mata todos os dias. Esses são apenas alguns dos problemas que o feminismo busca enfrentar na atualidade.

Você já conhecia o feminismo? Tem algo mais a dizer sobre? Deixe suas opiniões e comentários!

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